sábado, 22 de novembro de 2008

It Was40 Years Ago...

Depois de “Abbey Road” o “White Album”, ou mais corretamente, o duplo “The Beatles”, é o meu album preferido. Na verdade os dois, juntamente com St. Pepper, sempre ocuparam as preferências dos fãs dos Beatles. As comemorações do 40º aniversário do lançamento desta obra-prima dos Beatles são acompanhadas pela rendição dos Fab Four pelo Vaticano. O jornal do Vaticano 'absolveu' nesta sexta-feira os Beatles em um longo artigo, no qual elogia o talento musical do grupo e comemora os 40 anos do lançamento do "White Album".
O artigo começa recordando, em tom indulgente, a célebre e controvertida declaração de John Lennon de que "os Beatles são mais famosos de Jesus Cristo".
"Foi uma frase que suscitou profunda indignação, mas que, hoje em dia, soa mais como uma mofa de um jovem da classe operária inglesa empolgado com o sucesso", escreve o jornal vaticano.
Segundo o jornal da Santa Sé, o grupo realizou uma 'revolução branca' com seu "White Album", que classifica que "utopia musical, onde se encontra tudo o contrário de tudo".
"Era um conjunto de canções talvez discutíveis, mas reveladoras de toda uma época", afirma.
"Atualmente os produtos fonográficos são estereotipados, muito distantes da criatividade dos Beatles", lamenta o jornal papal.
Encontrei em um blog de um português algumas notas sobre as faixas do album. Por sinal, o blog é bastante intereressante:
http://ratorecordsblog.blogspot.com/2008/11/it-was-40-years-ago.html
ALGUMAS NOTAS SOBRE AS FAIXAS DO ALBUM:
1.A.1 – BACK IN THE U.S.S.R. (Lennon/McCartney) 2:45Uma das mais avassaladoras aberturas de sempre de um album de rock, feita ao som da aterragem de um avião a jacto. O tema esteve para se chamar “I’m Backing The U.S.S.R.” e é uma homenagem de Paul ao tema “Back In The U.S.A.” de Chuck Berry, que lhe foi sugerida por Mike Love durante a estadia em Rishikesh.
1.A.2 – DEAR PRUDENCE (Lennon/McCartney) 4:00
Canção escrita por John Lennon para Prudence Farrow (a irmã mais nova de Mia Farrow) que no retiro espiritual em Rishikesh teria sido uma das pessoas a levar mais a sério a experiência, a ponto de se trancar dias a fio nos seus aposentos. A sua relutância em conviver com as outras pessoas originou portanto este “convite” de Lennon: «Dear Prudence, won’t you come out to play?». Na verdade parece que a Prudence acedeu finalmente a mostrar-se, acabando por se dar muito bem com os quatro Beatles.
1.A.3 – GLASS ONION (Lennon/McCartney) 2:10Numa época caracterizada por importantes movimentos sócio-culturais, Os Beatles eram considerados quase como profetas desses tempos. E era rara a canção que não era passada a pente fino pelos fans, sempre à procura de simbologias ou mensagens escondidas. Um pouco cansado já de todas essas interpretações, Lennon compôs “Glass Onion” como que uma resposta humorística a todos esses Sherlock Holmes das músicas dos Beatles. Além de citar alguns dos temas mais estranhos já gravados pelo grupo, John introduziu ainda outras frases dúbias para alimentar propositadamente todos esses jogos mentais: «looking through the bent backed tulips», «another clue for you all, the walrus was Paul» ou «trying to make a dove-tail joint» são exemplos dessas pequenas provocações.Originariamente a canção acabava com uma série de efeitos sonoros (que podem ser ouvidos na Antologia 3) mas depois George Martin preferiu acabá-la apenas com um som de cordas.
1.A.4 – OB-LA-DI, OB-LA DA (Lennon/McCartney) 3:10Paul ouviu pela primeira vez esta expressão a um amigo nigeriano chamado Jimmy Scott que lhe explicou o respectivo significado: “Life goes on”. Da expressão à composição de uma canção foi um pequeno passo. Considerada por vezes como um dos primeiros exemplos de “reggae branco”, “Ob-La-Di, Ob-La-Da” esteve para ser lançada em single, como Paul queria. Mas tanto George como John se opuseram, sobretudo este último, que sempre detestou a composição. Diz-se até que a melodia era para soar um pouco mais lenta; mas que, no dia da gravação John, para a “despachar” rapidamente, resolveu acelerar um pouco logo à entrada, quando começou a tocar as teclas do piano. O efeito mais rápido agradou aos outros que acordaram em a gravar dessa maneira. Jimmy Scott chegou a participar nas gravações tocando congas e mais tarde Paul deu-lhe parte dos direitos de autor, só por causa da apropriação da expressão. Como que a comprovar que a razão estava do lado de Paul, a canção foi na altura um enorme sucesso pelo grupo Marmalade que a gravou em single (1º lugar em Inglaterra, a 11 e 18 de Janeiro de 1969).
1.A.5 – WILD HONEY PIE (Lennon/McCartney) 1:02Faixa gravada unicamente por Paul, que toca uma série de guitarras e bateria. Nenhum dos outros Beatles esteve sequer presente. O tema, semi-instrumental, é o texto mais curto e mais repetitivo de toda a obra do quarteto. E só foi incluído no disco porque Pattie Boyd Harrison gostava daquilo e Paul lhe fez a vontade. Onde se prova que até um Beatle não é imune ao sexo fraco (forte)...
1.A.6 – THE CONTINUING STORY OF BUNGALOW BILL
(Lennon/ McCartney) 3:05Canção escrita por Lennon que se inspirou num personagem real, Richard Cooke III, um jovem estudante americano que se encontrava também em Rishikesh. Um dia participou numa caçada ao tigre, acompanhado pela mãe, Nancy, que foi atacada pelo felino. Richard não teve outro remédio senão matar o animal para salvar a vida à progenitora. De regresso ao retiro, o episódio enfureceu o Maharishi que não aceitava que um discípulo seu tivesse cometido tal atrocidade. O sermão foi presenciado por John e Paul e a ideia da canção nasceu. O nome do personagem foi inspirado por Buffalo Bill e pelos bungalows onde os convidados do Maharishi se encontravam alojados. Richard Cooke III foi depois fotógrafo da National Geographic (e pensa-se que nunca mais matou nenhum tigre na vida). Este tema foi o primeiro dos dois únicos temas dos Beatles (o outro foi o “Birthday”) a ter coros femininos (Yoko Ono e Maureen Starkey).
1.A.7 – WHILE MY GUITAR GENTLY WEEPS (Harrison) 4:46Primeira grande contribuição de George Harrison para o “White Album”. A génese da canção é no mínimo curiosa. O livro preferido de George na altura era o “I Ching” (um livro chinês sobre transformações) e, influenciado por ele, resolveu fazer uma pequena experiência: escrever uma composição a partir das primeiras palavras que lesse num livro escolhido ao acaso. Foi à biblioteca da casa dos pais, em Lencashire, pegou num livro, abriu-o e leu – “gently weeps”. E pôs-se a escrever.Depois de várias tentativas para gravar a canção (mais de 40 takes, entre Julho e Setembro), George continuava a não gostar de se ouvir no solo de guitarra, Um dia Eric Clapton deu-lhe boleia de Surrey para Londres e George lembrou-se de pedir ajuda ao amigo. Relutante ao princípio, por achar que ninguém deveria tocar com Os Beatles, Clapton acabou por se deixar convencer. Calmamente, acompanhou George ao estúdio, executou o solo sem grandes alaridos numa guitarra Gibson Les Paul e foi-se embora. E assim nasceu uma obra-prima.
1.A.8 – HAPPINESS IS A WARM GUN (Lennon/McCartney) 2:47
Uma canção em três tempos, resultante da junção de outros tantos temas que Lennon tinha composto na altura e inspirada na capa de uma revista que ele viu nas mãos de George Martin e onde se podia ler: “Happiness is a warm gun in your hand”. Parte dos versos (estranhos mas surpreendentemente apelativos) surgiram depois de uma noitada de LSD que Lennon partilhou com Derek Taylor, Neill Aspinall e Pete Shoton. Anos mais tarde McCartney considerou-a a sua canção preferida de todo o album e Lennon chegou a descrevê-la como a “história do Rock ‘n’ Roll”. Hoje, quarenta anos depois, continua actual e a encantar sucessivas gerações de fans dos Beatles.
.B.1 – MARTHA MY DEAR (Lennon/McCartney) 2:28Apesar de Martha ser o nome da cadela de dois anos que Paul tinha na altura a canção não lhe é dedicada, mas sim a alguém que parece ter sido sempre a musa inspiradora de McCartney. Não era Jane Asher, cuja relação estava a chegar ao fim nem Linda Eastman, com quem Paul já namorava quando o tema foi gravado em Outubro de 68.A composição tem certas reminiscências dos anos 30, de cujos musicais Paul era grande apreciador.
1.B.2 – I’M SO TIRED (Lennon/McCartney) 2:01O título desta canção corresponde efectivamente ao cansaço que John começava a sentir depois de três semanas passadas em Rishikesh, onde diariamente assistia a sessões de grupo com cerca de hora e meia de duração. Esse cansaço era físico mas sobretudo mental. A Academia de meditação proibia o alcool e as drogas e John sentia-lhes cada vez mais a falta, a ponto de começar a ter insónias todas as noites. Depois era Yoko que não lhe saía do pensamento (Cynthia veio a descobrir que o marido se levantava sempre muito cedo para ir ver se tinha alguma mensagem da japonesa). Ou seja, John encontrava-se numa encruzilhada crucial e sentia que tinha de dar um novo sentido à sua vida (o que na verdade veio mesmo a acontecer).
.B.3 – BLACKBIRD (Lennon/McCartney) 2:20
Paul sempre disse que as suas melhores canções eram aquelas que lhe surgiam espontâneamente. “Blackbird” é sem dúvida uma dessas canções: simples, melódica, é uma espécie de “Yesterday” sem secção de cordas. Paul gravou-a sózinho, apenas com uma guitarra acústica, a que posteriormente adicionou uns bongos. Onde se prova, uma vez mais, que a simplicidade é a marca principal do génio.
1.B.4 – PIGGIES (Harrison) 2:04Segunda contribuição de Harrison, este tema é “dedicado” a todos os gananciosos que sempre procuraram ganhar dinheiro à custa dos Beatles (por uma vez a palavra ‘piggies’ não é aqui usada, como usualmente, para designar a polícia). Foi uma das canções invocadas mais tarde por Charles Manson que o teriam inspirado para as carnificinas de Agosto de 69, levadas a cabo em várias residências de Los Angeles, a mais célebre das quais pertencente a Roman Polanski, e onde a sua mulher, Sharon Tate, foi uma das vítimas (encontrava-se grávida na altura). A frase “Death To Pigs” apareceu escrita a sangue nas paredes da divisão onde os crimes foram cometidos.1
.B.5 – ROCKY RACOON (Lennon/McCartney) 3:33
Uma história do Oeste selvagem inventada por Paul: «Quando escrevi esta canção estava sentado, juntamente com John e Donovan, no telhado de um dos bungalows de Rishikesh. Pusémo-nos os três a improvisar e tudo saíu muito facilmente. O título original era para ser Rocky Sassoon, mas depois alterámo-lo para Rocky Racoon que soava melhor, tratando-se de um cowboy a viver em Dakota.»
1.B.6 – DON’T PASS ME BY (Starkey) 3:52Única canção de Ringo em todo o album, escrita cinco anos antes, em 1963. Nessa altura, num programa da BBC, Ringo mencionou-a, tendo inclusivé solicitado publicamente a sua inclusão num album dos Beatles. A “revelação” de que Ringo tinha uma canção só sua foi na altura motivo de risota dos outros Beatles que não levaram aquilo muito a sério. No entanto a canção existia mesmo e foi a estreia de Ringo como autor principal em toda a discografia dos Beatles. Até ali tinha-se limitado a colaborações pontuais, em temas como “A Hard Day’s Night”, “Eight Days A Week” ou “Tomorrow Never Knows”. Tirando o caso à parte do “Revolution 9”, pessoalmente acho este tema o mais fraco de todo o album.
1.B.7 – WHY DON’T YOU DO IT IN THE ROAD?
(Lennon/McCartney) 1:42
Mais um tema exclusivo de Paul, gravado a solo. Na discografia beatliana Paul sempre teve o epíteto do “melodioso”, em oposição a John que era considerado o “rocker”. Neste album existem algumas canções que parecem “trocadas”: esta e “Helter Skelter” são muito mais Lennon, enquanto que “Julia” ou “Good Night” soam mais a McCartney. Mas existia grande rivalidade entre os dois que adoravam surpreender-se mutuamente. “Why Don’t We Do It In The Road” teve mesmo o condão de irritar John que a apelidou de “very short, very rude, very rocking”. No íntimo estaria no entanto um pouco surpreendido que Paul tivesse composto algo no seu próprio estilo, como que lhe roubasse algo que por direito lhe pertenceria.
1.B.8 – I WILL (Lennon/McCartney) 1:46Não chega a dois minutos mas é mais um dos grandes momentos de inspiração de Paul. Foi a primeira canção dedicada a Linda Eastman, que na altura já substituíra de vez Jane Asher no coração de Paul. No dia 16 de Setembro, quando o tema foi gravado (apenas com o acompanhamento de Ringo) foram precisos 67 takes para que Paul se desse por satisfeito com o resultado obtido.
1.B.9 – JULIA (Lennon/McCartney) 2:57
O fecho da primeira metade do “White Album” não poderia ter sido mais pungente: uma simples e maravilhosa canção que John dedicou à memória da mãe, falecida dez anos antes na sequência de um atropelamento mortal. No entanto o seu amor por Yoko também se encontra presente, nas palavras “ocean child” (a tradução inglesa para yoko é “child of the ocean”), como que a confessar-lhe que, para além de amante, também desejava que ela ocupasse aquele lugar especial, vazio há tanto tempo. Yoko chegou a colaborar na letra da canção, a qual foi gravada por John sózinho em estúdio, apenas com uma guitarra acústica - os acordes foram muito influenciados pela maneira de tocar de Donovan (que em Rishikesh ensinou algumas dessas técnicas ao Beatle).
2.A.1 – BIRTHDAY (Lennon/McCartney) 2:40Trata-se do único tema do album que foi composto efectivamente a duo por Lennon e McCartney. O pretexto é que difere, conforme as fontes: umas dizem que foi um “presente” para Pattie, cujo aniversário ocorrera durante a estadia na India; mas outras, mais credíveis, afirmam que a canção foi já composta em Londres, nos próprios estúdios de Abbey Road, no dia 18 de Setembro, antecipando assim o 26º aniversário de Linda Eastman seis dias mais tarde (Paul sabia de antemão que ela estaria em Londres a tempo de festejar os anos com ele). Macca chegou esse dia mais cedo do que o costume aos estúdios e quando os outros apareceram, algumas horas depois, a música estava practicamente concluída. Nessa mesma tarde os Beatles foram a casa de Paul assistir pela televisão ao filme “The Girl can’t Help It” (1956) com Jayne Mansfield, e onde participavam diversos rockers: Fats Domino, Gene Vincent, Little Richard, Eddie Cochran e também os Platters. Inspirados por todos aqueles clássicos do Rock and Roll, os Beatles regressaram aos estúdios por volta das 11 da noite, escreveram o texto final e gravaram o tema. Yoko e Pattie participaram nos coros. Doze anos mais tarde, John Lennon diria sobre “Birthday”: «a good song to put in the trash».
2.A.2 – YER BLUES (Lennon/McCartney) 4:01Uma das canções “desesperadas” de John, que tentava a todo o custo mudar de vida e partir noutra direção com Yoko. Musicalmente o tema inspira-se nos blues ingleses, tão em voga nesse final dos anos 60 (John Mayall diria ser uma paródia aos verdadeiros blues). John faz ainda uma referência a “Ballad of a Thin Man” de Dylan através de “Mr. Jones”, o personagem um tanto ou quanto estúpido dessa canção.A gravação do tema reuniu de novo e apenas os instrumentos “clássicos” dos 4 Beatles: John na guitarra e vocais, Paul no baixo, George na guitarra e Ringo na bateria.
2.A.3 – MOTHER NATURE’S SON (Lennon/McCartney) 2:46Durante a estadia em Rishikesh, e na sequência de uma palestra dada pelo Maharishi sobre a relação do homem com a natureza, tanto Paul como John escreveram canções alusivas a esse tema. A de Paul foi esta, a escolhida para figurar no album branco. Uma vez mais gravou-a sózinho, sem a presença dos outros três. John chegou a gravar uma maqueta da sua canção (“A Child of Nature”) em Maio de 68, mas os Beatles não a chegaram a gravar. Em 1971 viria a ser incluída no album “Imagine” com o nome de “Jealous Guy”.
2.A.4 – EVERYBODY’S GOT SOMETHING TO HIDE EXCEPTME AND MY MONKEY (Lennon/McCartney) 2:25
John escreveu este tema em resposta a um desenho que teria aparecido numa revista qualquer em que Yoko era visualizada como um macaco empoleirado nos ombros de Lennon a cravar-lhe as unhas nas costas, como que a retira-lhe o talento. A réplica de Lennon foi incisiva, como de costume: «Não temos nada a esconder. Yoko inspira-me, não me destrói a habilidade de escrever boas canções». Grande pedaço de puro rock and roll, o tema começa com as palavras com que inicialmente se deveria ter chamado: “Come On, Come On”. Foi gravada num ritmo mais lento e depois ligeiramente “acelerada” para dar ainda mais ênfase ao som extraordinário das guitarras e da própria voz de Lennon.
2.A.5 – SEXY SADIE (Lennon/McCartney) 3:15
Os Beatles deixaram Rishikesh profundamente desiludidos com o Maharishi. Afinal o homem não passava de um vulgar oportunista que apenas desejava retirar benesses (monetárias e mesmo sexuais) do convívio com o grupo e restantes convidados. John compôs então esta “Sexy Sadie” como pseudónimo para o guru, já que não podia usar directamente o seu nome devido a eventuais sanções legais: “Sexy Sadie, what have you done? You made a fool of everyone...”
2.A.6 – HELTER SKELTER (Lennon/McCartney) 4:30O single “I Can See For Miles”, dos Who, saído em Outubro de 1967, teve uma crítica na revista Melody Maker onde se dizia, entre outras coisas, ser o tema de rock mais selvagem alguma vez feito. Paul leu essa crítica e nunca mais a esqueceu. Como os Beatles estavam sempre na vanguarda musical desses anos, Paul decidiu mostrar aos críticos o que a palavra “selvagem” significava realmente. E assim nasceu “Helter Skelter”, que rapidamente adquiriu o estatuto da música mais barulhenta de toda a discografia dos Beatles, quer a nível vocal (as vozes de Paul e de John explodem literalmente dos altifalantes) quer a nível instrumental (com as guitarras a percorrerem freneticamente toda a escala musical até o som se dissolver em feedbacks distorcidos). A gravação original durava, imagine-se, 25 minutos! Depois, claro, teve de ser encurtada para os 4 minutos e meio, finalizando com a exclamação do Ringo:
«I’ve Got Blisters On My Fingers!”Este foi mais um dos temas do album invocados por Charles Manson como incentivo à matança de Los Angeles. Inclusivé, o procurador geral encarregue dos homicídios, Vincent Bugliosi, publicou mais tarde um livro onde relatava todo o inquérito. Deu-lhe o nome de “Helter Skelter”.
2.A.7 – LONG, LONG, LONG (Harrison) 3:08
Depois da tempestade só poderia vir a bonança. O lado 3 do album branco termina com esta calma canção de Harrison. Inspirada em “Sad Eyed Lady Of The Lowlands” de Dylan (album “Blonde On Blonde”, de 1966), “Long, Long, Long” é uma simples canção de amor de alguém que recuperou o seu ente amado. George revelou no entanto não ter tido qualquer inspiração terrena mas apenas espiritual. O que não admira, tendo sido ele o Beatle que primeiro se interessou pela religião oriental.
2.B.1 – REVOLUTION 1 (Lennon/McCartney) 4:13E ao “Verão do Amor” de 67 seguiu-se a “Primavera da Revolução”. Em Março de 68 uma enorme manifestação teve lugar em Londres, frente à embaixada dos Estados Unidos, em Grosvenor Square, que terminou em violentos confrontos entre a polícia e os manifestantes. Dois meses depois foi o “Maio de 68” que eclodiu em Paris. John Lennon assistiu a todos esses acontecimentos pela televisão e resolveu também “participar”. Escreveu “Revolution” em casa, em Weybridge. Não era, longe disso, uma canção escrita por um revolucionário, apesar de Lennon ser o mais politizado dos Beatles e com ideias marcadamente de esquerda. Tratou-se antes de uma resposta de alguém a quem os grupos de jovens marxistas, leninistas ou trotskystas exigiam, constantemente, uma tomada de posição inequívoca. Para John a verdadeira revolução não passava pelos actos de violência de rua mas sim pela alteração das mentalidades.A 1ª versão que foi gravada foi esta, mais lenta, e onde aparece o verso “Don’t you know you can count me out...in”, como que existisse ainda uma hesitação no espírito de Lennon sobre o caminho a seguir. Já na 2ª versão, mais rápida, e editada no lado B de “Hey Jude”, o verso é expurgado das reticências finais. Foi o suficiente para que a revista Time, triunfantemente, consagrasse um artigo inteiro à canção, dizendo que ela “criticava todos os extremismos do mundo”. Seguiu-se uma série de correspondência entre Lennon e os autores do artigo sobre o tema “violência e revolução” que, evidentemente, originaram vendas astronómicas da revista. John gravou a canção deitado no chão, com o microfone pendurado sobre a boca. Mais uma vez a duração total da canção (cerca de 10 minutos) teve de ser encurtada para a sua inclusão no album.
2.B.2 – HONEY PIE (Lennon/McCartney) 2:42“... and now she’s hit the big time...”: Simples homenagem de Paul ao seu pai, Jim McCartney, e por extensão às músicas dos anos 20. A orquestração de George Martin é uma pequena maravilha, levando-nos a recuar no tempo, às grandes orquestras de salão.Incompreensivelmente foi mais um dos temas do album branco que Charles Manson pensou ser-lhe dedicada. Mas quem é que consegue compreender as razões de um louco?
2.B.3 – SAVOY TRUFFLE (Harrison) 2:55Quarta e última contribuição de George para o album, este tema não é mais do que uma alusão brincalhona à atração irresistível que Eric Clapton sentia por chocolates, a ponto disso lhe ter dado cabo dos dentes. Na letra aparecem referências a diferentes tipos de chocolate Good News, da Mackintosh: Creme Tangerine, Montelimart, Ginger Sling, e Coffee Dessert, além do próprio Savoy Truffle. Mas por exemplo Cherry Cream e Coconut Fudge foram inventados por George por necessidades de construção da canção.
2.B.4 – CRY BABY CRY (Lennon/McCartney) 2:34
John inspirou-se num anúncio publicitário que viu na televisão (“Cry baby cry, make your mother buy”) para compor esta canção, mas a música denota grande influência das canções que Donovan costumava escrever para crianças. A canção termina com uma pequena intervenção de Paul (“Can You Tack Me Back Where I Came From”), que serve de ligação ao tema seguinte.
2.B.5 – REVOLUTION 9 (Lennon/McCartney) 8:15Há quem considere este tema o pior de toda a discografia dos Beatles. Não concordo. Primeiro porque não é um tema propriamente dito, depois porque nem sequer pode ser considerado pertencente aos Beatles. Trata-se, isso sim, de uma colagem de sons feita por John e Yoko que, já completamente inseparáveis, tentavam mostrar ao mundo todo o seu vanguardismo artístico. Recorreram aos arquivos da EMI, donde extrairam grande parte dos sons que aparecem na faixa, e cujas proveniências eram quase impossível de identificar, como por exemplo a voz de “number nine..., number nine...number nine…”. Mesmo assim ainda se conseguem ouvir algumas palavras ditas por John, Yoko, George ou Ringo. McCartney encontrava-se nos Estados Unidos quando o tema foi gravado e ficou furioso quando o mesmo foi incluido no album por decisão dos outros três Beatles.
2.B.6 – GOOD NIGHT (Lennon/McCartney) 3:14“Good Night” é certamente o tema mais sentimental escrito por Lennon. Fê-lo como que uma canção de embalar para Julian, tal como doze anos depois escreveu “Beautiful Boy” para Sean. Pouco depois acontecia o divórcio de Cynthia é só muitos anos depois é que Julian soube que a canção lhe era dedicada. Tratando-se de um album duplo, e como a voz de Ringo tinha de aparecer também neste segundo disco, Lennon trauteou-lhe a canção para lhe mostrar como queria que ela soasse. Ringo cantou-a admiravelmente, acompanhado por uma orquestra de trinta elementos, incluindo harpa e coros.
Cerca de 94 minutos depois de um avião a jacto ter aterrado no prato do nosso gira-discos, “Good Night” mandava-nos a todos para a caminha ter belos sonhos…

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Brasília: Arquitetura e a genialidade dos homens

Estive em Brasília participando do XXV Simpósio de Gestão da Inovação Tecnológica, cujo tema foi "Inovação, Cultura e Empreendedorismo", e aproveitei para visitar alguns pontos turísticos, pois nas minhas viagens anteriores não havia tido oportunidade. Novamente me impressionei pela arquitetura da cidade, fruto da parceria de dois gênios: Oscar Niemeyer e Lúcio Costa. Aliás, o desenho acima mostra que, em geral, é da simplicidade que se pode transformar em coisas geniais. A partir de dois traços, em forma de cruz, no branco do papel, iniciou-se o esboço de um projeto urbanístico que entrou para a história. O desenho de um avião, em seguida, foi o ponto de partida para a planta da cidade. Após a sua construção, a cabine do piloto dessa aeronave, passou a abrigar os poderes que comandam o país. Em 1987, ela se tornou a primeira cidade moderna do mundo a ser tombada pela Unesco como Patrimônio Histórico da Humanidade. Tanto o projeto urbanístico de Lúcio Costa quanto a moderna arquitetura dos edifícios desenhados por Oscar Niemeyer conferem a Brasília características que não encontram paralelo em qualquer outra cidade do mundo. De automóvel, é possível atravessar toda a sua extensão, a partir da entrada Sul até o final da Asa Norte, sem pegar um único sinal de trânsito sequer. De cada ponto desse trajeto totalmente arborizado, vê-se a linha do horizonte: a cidade é plana e os edifícios residenciais têm, no máximo, seis andares. Segundo consta no site, www.comciencia.br/reportagens/cidades/cid16.htm o ar de Brasília é puro, pois não há indústrias pesadas ao seu redor. Mas essa qualidade de vida, desfrutada por quem habita o Plano Piloto, tem um custo alto para a maioria da população, que mora nas periferias. Enquanto a cidade possui cerca de um automóvel para cada duas pessoas (maior índice do país), o seu transporte coletivo leva pouco mais do que um passageiro por quilômetro percorrido de linhas de ônibus, número que chega a ser quatro vezes menor do que o de cidades de mesmo porte. Esse baixo índice, que torna a tarifa de ônibus em Brasília uma das mais caras do país, se deve à grande distância entre as cidades-satélites, onde vive cerca de 90% da população do Distrito Federal, e o Plano Piloto, que concentra 77% dos postos de empregos do DF, segundo levantamento feito pelo Ministério do Trabalho, em 1999.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

ONDE NASCEU A CRISE FINANCEIRA MUNDIAL


Primeiramente, para os que lêem periodicamente este blog, a ausência de 1 mês sem postar se deve ao acúmulo de atividades nas universidades (defesas, provas, orientações...) e no meio da crise financeira mundial alguém precisa trabalhar...rs!

Nas minhas aulas alguns alunos me indagaram o porquê da crise e fui à luta em busca de respostas e algumas conclusões são aqui apresentadas. Em primeiro lugar, esta crise financeira nasceu e cresceu nos EUA, o país tido como a imagem de marca da melhor regulação. Segundo vários analistas, o grande foco de desenvolvimento desta crise decorre exatamente de grandes falhas na regulação decorrente da liberalização selvagem do setor financeiro. A origem de tudo está na oferta de um produto primário, simples e necessário e de grande impacto social: o crédito à habitação. Como é que este crédito, tão importante socialmente, pode ter originado esta crise que foi crescendo, crescendo, lentamente? Estabeleceu-se uma concorrência excessiva da oferta de crédito, neste domínio, com a concessão de crédito a segmentos sem capacidade de crédito, mas camuflada por garantias "fictícias". Um exemplo bastante interessante vem de Lisboa, de A. João Soares, em seu blog: http://domirante.blogspot.com/2008/10/crise-financeira-como-aconteceu.html . Vejamos o exemplo:

Paul comprou um apartamento, no começo dos anos 90, por 300.000 dólares financiado em 30 anos. Em 2006 o apartamento do Paul passou a valer 1,1 milhão de dólares. Aí, um banco perguntou ao Paul se ele não queria um empréstimo, algo como 800.000 dólares, dando seu apartamento como garantia.Ele aceitou, fez uma nova hipoteca e pegou os 800.000 dólares.Com os 800.000 dólares. Paul, vendo que imóveis não paravam de valorizar, comprou 3 casas em construção dando como entrada algo como 400.000 dólares. A diferença, 400.000 dólares que Paul recebeu do banco, ele se comprometeu: comprou carro novo (alemão) para ele, deu um carro (japonês) para cada filho e, com o resto do dinheiro, comprou tv de plasma de 63 polegadas, 43 notebooks, 1634 cuecas. Tudo financiado, tudo a crédito. A esposa do Paul, sentindo-se rica, sentou o dedo no cartão de crédito.Em Agosto de 2007 começaram a correr boatos que os preços dos imóveis estavam a cair. As casas que o Paul tinha dado de entrada e estavam em construção caíram vertiginosamente de preço e não tinham mais liquidez...O negócio era refinanciar a própria casa, usar o dinheiro para comprar outras casas e revender com lucro. Fácil....parecia fácil. Só que todo mundo teve a mesma ideia ao mesmo tempo. As taxas que o Paul pagava começaram a subir (as taxas eram pós fixadas) e o Paul percebeu que seu investimento em imóveis se transformara num desastre.Milhões tiveram a mesma ideia do Paul. Tinha casa para vender como nunca.Paul foi aguentando as prestações da sua casa refinanciada, mais as das 3 casas que ele comprou, como milhões de compatriotas, para revender, mais as prestações dos carros, as das cuecas, dos notebooks, da tv de plasma e do cartão de crédito.Aí as casas que o Paul comprou para revender ficaram prontas e ele tinha que pagar uma grande parcela. Só que neste momento Paul achava que já teria revendido as 3 casas mas, ou não havia compradores ou os que havia só pagariam um preço muito menor que o Paul havia pago. Paul se danou. Começou a não pagar aos bancos as hipotecas da casa onde ele morava e das 3 casas que ele havia comprado como investimento. Os bancos ficaram sem receber de milhões de especuladores iguais a Paul.Paul optou pela sobrevivência da família e tentou renegociar com os bancos que não quiseram acordo. Paul entregou aos bancos as 3 casas que comprou como investimento perdendo tudo que tinha investido. Paul quebrou. Ele e sua família pararam de consumir...Milhões de Pauls deixaram de pagar aos bancos os empréstimos que haviam feito baseado nos preços dos imóveis. Os bancos haviam transformado os empréstimos de milhões de Pauls em títulos negociáveis. Esses títulos passaram a ser negociados com valor de face. Com a insolvência dos Pauls esses títulos começaram a valer pó.Biliões e biliões em títulos passaram a nada valer e esses títulos estavam disseminados por todo o mercado, principalmente nos bancos americanos, mas também em bancos europeus e asiáticos.Os imóveis eram as garantias dos empréstimos, mas esses empréstimos foram feitos baseados num preço de mercado desse imóvel... Preço que caiu. Um empréstimo foi feito baseado num imóvel avaliado em 500.000 dólares e de repente passou a valer 300.000 dólares e mesmo pelos 300.000 não havia compradores.Os preços dos imóveis eram uma "bolha", um ciclo que não se sustentava, como os esquemas de pirâmide, especulação pura. A insolvência dos milhões de Pauls atingiu fortemente os bancos americanos que perderam centenas de biliões de dólares. A farra do crédito fácil um dia acaba. Acabou.Com a insolvência dos milhões de Pauls, os bancos pararam de emprestar por medo de não receber. Os Pauls pararam de consumir porque não tinham crédito. Mesmo quem não devia dinheiro não conseguia crédito nos bancos e quem tinha crédito não queria dinheiro emprestado. O medo de perder o emprego fez a economia travar. Recessão é sentimento, é medo. Mesmo quem pode, pára de consumir. O FED começou a trabalhar de forma árdua, reduzindo fortemente as taxas de juros e as taxas de empréstimo interbancários. O FED também começou a injectar biliões de dólares no mercado, provendo liquidez. O governo Bush lançou um plano de ajuda à economia sob forma de devolução de parte do imposto de renda pago, visando incrementar o consumo porém, essas acções levam meses para surtir efeitos práticos. Essas ações foram corretas e, até agora, não é possível afirmar que os EUA estão tecnicamente em recessão. O FED trabalhava. O mercado ficava atento e as famílias esperançosas. Até que na semana passada o impensável aconteceu. O pior pesadelo para uma economia aconteceu: a crise bancária, correntistas correndo para sacar suas economias, boataria geral, pânico. Um dos grandes bancos da América, o Bear Stearns, amanheceu, na segunda-feira última, quebrado, insolvente.No domingo o FED, de forma inédita, fez um empréstimo ao Bear, apoiado pelo JP Morgan Chase, para que o banco não falisse. Depois disso o Bear foi vendido para o JP Morgan por 2 dólares por acção. Há um ano elas valiam 160 dólares. Durante esta semana, dezenas de boatos voltaram a acontecer sobre falência de bancos.A bola desta vez seria o Lehman Brothers, um bancão. O mercado e as pessoas seguem sem saber o que nos espera na próxima segunda-feira.O que começou com o Paul, hoje afecta o mundo inteiro. A coisa pode estar apenas começando. Só o tempo dirá. E no dia 15 de Setembro/2008, o Lehman Brothers pediu falência, desempregando mais de 26 mil pessoas e provocando uma queda de mais de 500 (quinhentos) pontos no Índice Dow Jones, que mede o valor ponderado das acções das 30 maiores empresas negociadas na Bolsa de Valores de New York - a maior queda num único dia, desde a quebra de 1929 ...

terça-feira, 16 de setembro de 2008

O que é ser empreendedor

videoEncontrei no Youtube um vídeo que esclarece muito bem o que é um empreendedor. Muito embora eu considere que pode ser alguém que não necessariamente crie ou expanda um negócio, como é o caso daqueles que se envolvem com o Terceiro Setor e/ou outro atividade que não gera lucro, a mensagem central do vídeo coloca o empreendedor como aquele que antecipa os fatos, ou seja, um visionário. Além deste vídeo encontrei outros bastante interessantes que, com certeza, apresentarei em minhas aulas.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Cerveja é ruim para a ciência?


Cientistas têm cada imaginação ao desenvolver estudos! O último que encontrei tenta relacionar o consumo de cerveja com a produção científica! Ora, se se bebe todos os dias, toda e qualquer atividade é prejudicada, pois se passará mais tempo levantando copo que digitando ou estudando. Isto é lógico! Por outro lado, se se bebe apenas nos fins de semana, a cerveja - também em quantidades normais - pode ajudar no relaxamento e até para aumentar a inspiração dos cientistas. Leiam a reportagem sobre o assunto: Quanto mais cerveja os cientistas bebem, é menos provável que eles tenham trabalhos publicados ou citados, revelou um novo estudo realizado por Thomas Grim, ornitólogo da Universidade de Palacky, na República Tcheca. Grim pesquisou o comportamento dos cientistas tchecos e descobriu uma correlação entre a quantidade de cerveja consumida e o número de trabalhos publicados.Mas a República Tcheca pode ser apenas uma estranha exceção, de acordo com um artigo do New York Times de março de 2008 que se referia ao estudo de Grim; afinal, o país detém a maior taxa de consumo de cerveja per capita do mundo, acima da Irlanda. Ou talvez, conforme sugeriu o também ornitólogo Mike Webster, da Universidade do Estado de Washington, no artigo, "os cientistas que têm poucas publicações estão afogando suas mágoas."Aparentemente, dá na mesma beber a cerveja barata Pabst Blue Ribbon ou a mais cara Vielle Bon Secours - o estudo não mencionou que o preço da cerveja fizesse alguma diferença. Outro estudo, feito na Dinamarca, que está em oitavo lugar na lista dos maiores consumidores de cerveja per capita, mostrou uma correlação entre o consumo de vinho e um QI alto - com o oposto sendo verdadeiro para a cerveja.

sábado, 30 de agosto de 2008

O pequeno coreano ataca outra vez...

Novamente o prodígio coreano, de apenas 12 anos, nos surpreende pela beleza de suas interpretações e ainda mais pela escolha da canção. Já o vi tocando Manhã de Carnaval (http://br.youtube.com/watch?v=-3gxwHVrwCw), Alone Again Naturally (http://br.youtube.com/watch?v=WFo3NI9re00), Moon River (http://br.youtube.com/watch?v=2sHKZkH6i20&feature=related), Your Song (http://br.youtube.com/watch?v=yXospFm9VzM&feature=related), Blackbird (http://br.youtube.com/watch?v=hCT9xnlhldM&feature=related), entre muitas magníficas, mas compostas décadas atrás, ou seja, fora de época para esse menino. Como se pode tocar assim, com tanta intimidade com as músicas, se ele ainda nem tinha nascido? Agora neste vídeo ele toca duas músicas de Ennio Morricone, que fazem parte da trilha sonora do filme "Cinema Paradiso". Para quem quer ver todos seus vídeos é só entrar em sua página no Youtube (http://br.youtube.com/user/jwcfree).

video

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Por que não somos uma potência nos esportes ?


Depois de mais de um mês volto a postar um comentário em meu blog, depois das férias de julho, muito mais dedicadas ao ócio e aos filhos. Nesse retorno o assunto em destaque não pode ser as Olimpíadas e a participação efêmera do Brasil. Mas o por que disso ? Simplesmente porque não investimos nos esportes como as outras nações. Ora, quem treina mais sempre vence! Mas o problema é mais estrutural. O país precisa fazer uma revolução educacional, pois nos outros países o esporte faz parte do currículo como qualquer outra disciplina. Há, nós temos Educação Física, dirão alguns. Porém, é um "faz-de-conta", bem diferente que em outros países, cujas ações são mais profissionais e os estudantes esportistas sabem que do esporte alcançarão melhores condições de vida. Muito tem sido feito, mas é como na tecnologia, pois mesmo que o país tenha desenvolvido bastante no setor, continua bem distante dos níveis dos países desenvolvidos.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Al Capone, Daniel Dantas e o Ladrão de Galinhas


Al Capone no final dos 20 controlava informantes, pontos de apostas, casas de jogos, prostíbulos, bancas de apostas em corridas de cavalos, etc e chegou a faturar 100 milhões de doláres norte-americanos por ano, durante a Lei seca. Em 1931, foi condenado pela justiça americana por sonegação de impostos, com 11 anos de reclusão. No Brasil, no primeiro decênio do século 21, Walmes Pereira da Silva, de 25 anos, foi pego em flagrante e está preso numa cadeia em Rincão, cidadezinha nas proximidades de Araraquara, região do interior paulista com indicadores econômicos dignos dos EUA e de países da Europa. Walmes divide uma cela com 25 detentos, num espaço onde deveriam ficar no máximo 12 pessoas. Até aí, tudo bem. Esse é um defeito de quase todas as cadeias brasileiras e lugar de ladrão é mesmo atrás das grades.
Ou deveria ser. O problema é que nem todos os ladrões estão atrás das grades, especialmente aqueles que cometem justamente os maiores roubos, incluindo ataques vorazes aos cofres públicos. Walmes foi detido quando tentava roubar cinco galinhas numa granja. Nem chegou a degustar as “penosas”, já que, alertada pelo dono, a polícia chegou a tempo de dar o flagrante. Isso é que é eficiência, ao menos quando se trata de gente não tem tempo, nem dinheiro principalmente, para acionar um bom advogado, esses sim mais ágeis e rápidos do que a própria polícia. Enfim, Walmes é literalmente um ladrão de galinhas.
Como a família não tem condições de contratar um advogado, o rapaz continua preso, à espera de um advogado voluntário e de um juiz mais justo e menos apegado à lei. Enquanto isso, no galinheiro, perdão, em Brasília, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, atendeu aos pedidos dos advogados e determinou a expedição do alvará de soltura em favor do ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta, do investidor Naji Nahas e de outras oito pessoas presas durante a Operação Satiagraha, da Polícia Federal. Na noite de ontem, Mendes já havia concedido habeas-corpus ao banqueiro Daniel Dantas e à irmã dele, Verônica. Será que o Brasil, em pleno início do século XXI, finalmente atingirá a façanha alcançada pelos norte-americanos nos distantes anos pós-depressão?

segunda-feira, 23 de junho de 2008

TV a Cabo, Regulação, Oligopólio e o Pobre do Consumidor

As agências de regulação foram criadas para melhorar os serviços das concessões de serviço público: saneamento, telecomunicações, transportes, etc. A proibição na cobrança do ponto extra por parte da ANATEL é simplesmente ignorada pelas empresas de TV a cabo. Recebi minha fatura com vencimento em 05 de julho e eles alegaram que, seguindo a orientação da associação da qual fazem parte, eles vão sim manter essa cobrança. Liguei para a ANATEL (tel. 0800332001). Eles confirmaram que a empresa não poderia cobrar pelo serviço e eles me deram 5 dias úteis para que eu receba uma resposta. Agora, se você ligar para o concorrente (Sky), eles têm o maior prazer em fazer sua assinatura, sem cobrança de equipamento e outras isenções. Porém, o segundo ponto para eles também não existe. Isso é uma prova do oligopólio que existe neste tipo de serviço. Espero que os colegas se manifestem contra esse absurdo e liguem também para a ANATEL. Você precisa apenas ter o n° do protocolo da reclamação feita na sua operadora da TV a Cabo.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Custo do dinheiro

O dinheiro é como qualquer outra mercadoria, ele tem preço e estes preços são os juros. Isto significa dizer que quem tem mais dinheiro do que precisa o aluga para outra pessoa e, se ao contrário, uma pessoa precisa de mais dinheiro do que dispõe, esta usa dinheiro de outra pessoa e paga um aluguel. Esse aluguel são os juros. No caso específico do Brasil, o dinheiro é mais caro simplesmente porque a procura por dinheiro supera em muito a sua oferta, e quem contribui para que isso aconteça, sendo o responsável pela grande procura de dinheiro, é o governo. Nos dias atuais que os tempos estão bicudos para os lados da economia popular, surge a oportunidade de se buscar dinheiro para se complementar o orçamento, pagar uma dívida, etc. Nestas oportunidades, busca-se empréstimos nas mais variadas fontes: Bancos, factoring, amigos e finalmente o agiota. Olhem a foto tirada de meu celular! Um cartaz em um supermercado aqui de Fortaleza. Chega a ser irônica a frase! Chegou a solução dos seus problemas. De quem? Só pode ser do agiota.

sábado, 14 de junho de 2008

China ultrapassa os EUA em volume de emissões de CO2

A China tomou o posto dos Estados Unidos como maior emissor mundial de dióxido de carbono (CO2), o principal entre os gases do efeito estufa. Segundo informações de uma agência financiada pelo governo holandês, o boom econômico do país oriental é a causa da mudança no cenário mundial.Especialistas estimavam que a China só superaria os EUA em 2009. A ascensão deve aumentar a pressão para que se envolva mais nos esforços da Organização das Nações Unidas contra o aquecimento global."As emissões de CO2 da China superaram as dos EUA no ano passado, em 8%. Com isso, a China encabeça a lista de países emissores de gás carbônico pela primeira vez", escreveram porta-vozes da Agência de Avaliação Ambiental da Holanda em nota oficial. Kyoto ou não Kyoto ?? Temos Alternativa??

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Empreendedorismo e Competitividade

Diferentemente das últimas décadas que antecederam o século XXI, quando as economias, principalmente dos países em desenvolvimento, buscavam prioritariamente atingir suas estabilidades nas contas públicas externas e internas e, principalmente, o controle da inflação, os países vêm atualmente dando ênfase à adoção de políticas econômicas que tornem suas economias mais competitivas. Países mais competitivos apresentam maiores taxas de empreendedorismo do que aqueles que possuem economias com ínumeros problemas para a realização de negócios. No último relatório do GCI - Global Competitiveness Index, desenvolvido pelo World Economic Forum (WEF), o destaque foi a Suíça, em primeiro lugar no ranking, fruto do equilíbrio entre os diversos pilares e variáveis, destacando-se nos investimentos significativos em inovação (3º lugar) e na sofisticação do ambiente empresarial (3º lugar), bem como a presença maciça dos países nórdicos nas primeiras posições (Finlândia – 2°, Suécia – 3º e Dinamarca – 4º . A posição do Brasil no relatório do GCI demonstra graves problemas em diversas áreas, apresentando queda de nove posições no ranking (de 57º para 66º) em relação ao relatório anterior. Destaca-se o péssimo posicionamento no pilar macroeconomia (114º lugar) e instituições (91º lugar), equilibradas nos pilares sofisticação empresarial (38º lugar) e inovação (38º lugar). Segundo o relatório, o Brasil continua com problemas que prejudicam a competitividade do país: alto spread bancário, gastos públicos crescentes e alta carga tributária; setor público ineficiente e incapaz de prover serviços públicos e infra-estrutura de qualidade; um sistema legal complexo, muito burocratizado e lento; e crédito escasso e caro. Fatalmente no próximo relatório do GCI o Brasil cairá mais posições, depois é claro se for aprovado o novo imposto, em substituição a CPMF.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Que F L U S T Á C I O N !

A gozação no futebol não acontece somente aqui. Vejam a brincadeira dos torcedores do River Plate com a desclassificação do Boca Juniors frente ao Fluminense. Llora Hermanos !

sábado, 31 de maio de 2008

Refinaria: Uma Questão de Decisão Econômica ?


Há muito tempo que os processos decisórios quanto aos investimentos públicos são influenciados e muitas vezes decididos por pressões políticas, deixando de lado o foro das análises técnicas, econômicas e ambientais. O Estado do Ceará, depois de muitos anos obtendo taxas maiores de crescimento do PIB, em relação aos demais estados nordestinos, vem sofrendo com a fuga de investimentos, principalmente para o Estado de Pernambuco. Preferência do presidente que é pernambucano, força política dos deputados e senadores de lá e/ou inoperância de nossos representantes em Brasília? Nas últimas semanas saiu a notícia que uma refinaria de maiores dimensões seria instalada no Maranhão, enquanto o Ceará haveria o investimento de uma menor. Entretanto, a questão central não foi ainda debatida: Qual a viabilidade econômica de uma refinaria ? Essa questão não é bem respondida porque os projetos de infra-estrutura não são bem avaliados, simplesmente porque as técnicas utilizadas pelas instituições financeiras internacionais adotam o princípio do Ótimo de Pareto (ou seja, o que é bom para o mercado é bom para todos!). Os estudos seriam melhor avaliados se fossem utilizados o "Método dos Efeitos", que é uma alternativa heterodoxa às técnicas de avaliação econômica defendidas oficialmente pelos organismos internacionais de financiamento.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Prof. Jeffry Timmons


Tomei conhecimento esta semana do falecimento, aos 66 anos, do Prof. Jeffry Timmons, considerado, por muitos, o pioneiro na educação empreendedora nos Estados Unidos. Suas idéias sobre empreendedorismo são citadas em qualquer livro sobre o assunto. Ele era professor da Babson College e ao longo de sua vida escreveu mais de 20 livros, destacando-se "New Venture Creation”. Trata-se de um best-seller e o mais clássico livro americano sobre empreendedorismo. Uma de suas frases mais famosas foi a que ele declarou em 1994: O empreendedorismo é uma revolução silenciosa que será para o século XXI mais do que a Revolução Industrial foi para o século XX.
Quem quiser conhecer um pouco mais sobre ele é só ler o artigo http://www.businessweek.com/smallbiz/content/apr2008/sb20080423_402595.htm?campaign_id=rss_smlbz


Forte abraço. Aguardo os comentários.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Empreendedorismo: Modismo ou Realidade ?

Fui convidado pela revista "Insight Empresarial", do Grupo Marquise, para escrever um artigo sobre empreendedorismo para sua 2ª edição (veja capa da 1ª edição ao lado). A idéia central do artigo é demonstrar que o interesse pelo assunto ocorreu principalmente após as transformações ocorridas na economia mundial nas últimas décadas, bem como apoiar a necessidade de que o empreendedorismo seja difundido como disciplina nos mais variados níveis educacionais.

O artigo na íntegra deverá ser publicado no início do 2° semestre e deixo aqui alguns trechos para vocês lerem:

"O conceito de empreendedorismo tem evoluído bastante ao longo dos últimos anos, não mais se limitando aos ensinamentos ligados à criação de empresas, se direcionando para campos de pesquisa bastante abrangentes, tais como o empreendedorismo corporativo como um meio de crescimento e renovação para grandes empresas, teorias sobre empreendedorismo internacional e empreendedorismo social.

Essas mudanças não aconteceram por acaso, elas são decorrentes dos acontecimentos que afetam nossas sociedades e introduzem rupturas nas empresas, nos indivíduos e na formação educacional, a tal ponto que podemos considerá-lo como uma verdadeira “revolução científica” ao senso de Thomas Kuhn. Ou seja, o empreendedorismo vem se transformando em um novo paradigma científico.

O empreendedorismo constitui uma nova disciplina? Nosso ponto de vista é que a história nos ensinou que o desenvolvimento de uma disciplina é decorrente da construção cultural e social provocada pelas mudanças que revolucionam uma sociedade. Nessas condições, levantamos a hipótese que o empreendedorismo se encontra atualmente em uma fase transitória em busca de uma mudança em seu status, de paradigma à disciplina científica. Essa ambigüidade de status é que talvez explique os problemas atuais de reconhecimento e do posicionamento entre as demais disciplinas.

O empreendedorismo é uma disciplina e, portanto, como toda disciplina, pode ser ensinada. A realidade atual é que o ensino de empreendedorismo vem se disseminando com rapidez no Brasil. Ele está presente na governança, no meio empresarial, nas instituições representativas de classe e de ensino, o que demostra, inequivocadamente, que o espírito empreendedor pode ser adquirido, ao contrário daqueles que afirmam que é uma característica inata".

Quem quiser ler a 1ª edição da revista "Insight Empresarial" é só clicar no link abaixo:
Aguardo os comentários dos colegas.
Um forte abraço.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Artigos para download

Caros colegas,
Ainda estou aprendendo a utilizar o blog e uma das coisas fantásticas desse espaço é a possibilidade de difundir nossos trabalhos científicos, os quais também se encontram disponíveis na Web. Para aqueles que desejem fazer download desses trabalhos, encaminho abaixo os links:

http://www.anpad.org.br/periodicos/arq_pdf/a_691.pdf

http://www.dae.ufla.br/revista/revistas/2007/2007_2/(03)%20Artigo%2005.238.pdf

http://www.ipece.ce.gov.br/publicacoes/textos_discussao/TD_6.pdf

http://www.bnb.gov.br/content/aplicacao/ETENE/Anais/docs/ren1998_v29_ne_a27.pdf

Um abraço.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Para todos nós, "ALL WE NEED IS LOVE", ao som do violão do menino prodígio coreano

video

O nome dele é Sungha Jung e, pasmem, ele tem apenas 11 anos e aprendeu a tocar há apenas 2 anos. Pesquisei no Google e leiam o que encontrei no MySpace dele: “Hi, I’m Sungha Jung from South Korea. My dream is to become a professional acoustic fingerstyle guitarist. I had been watching my dad play the guitar for awhile before I finally jumped on it myself two years ago. I just turned eleven in September, 2007. Currently, I am taking weekly classical guitar lessons and teaching myself fingerstyle guitar.I used to not have tabs for the music that I played in my videos. I just listen and pick them up directly from the sound source in videos available on the internet. However, recently, I have started playing with original tabs whenever they are available to me by courtesy of the authors.”

Quem quiser assistir mais vídeos dele é só entrar no YouTube nos links abaixo:

http://www.youtube.com/watch?v=yXospFm9VzM&feature=related (Your Song)

http://www.youtube.com/watch?v=WFo3NI9re00&feature=related (Alone Again, Naturally)

http://www.youtube.com/watch?v=vS0QjEeNYpM (Comme Together)

Lançamento do livro de Marc Chervel


Recebi um convite para participar do lançamento do livro do meu orientador Marc Chervel, falecido em dezembro de 2004, em Paris, e encaminhei uma resposta para a Armelle (sua esposa) justificando minha ausência. O nome do livro é "Mondialisation des marchandises et marchandisation du monde : matériau de pensée économique pour le nouveau siècle". Marc Chervel desenvolveu, juntamente com outros economistas franceses, um modelo alternativo de avaliação econômica de projetos, bastante diferente dos modelos neoclássicos apoiados pelas instituições financeiras internacionais (Banco Mundial, BID). A tese central do Método dos Efeitos é a construção de um modelo de decisão baseado na prática do planejamento, onde a escolha dos objetivos e das restrições pode ser objeto de discussão com a sociedade civil. Trata-se de um método de avaliação econômica de projetos bem diferente dos métodos neoclássicos (método dos preços-sombra), cuja problemática é fundamentada na teoria do equilíbrio geral, onde a escolha dos objetivos e das restrições é tratada de maneira endógena no cálculo dos custos e dos benefícios através do uso de "fatores de conversão", em geral, definidos arbitrariamente e também questionáveis do ponto de vista teórico. Vocês podem adquirir o livro pela Amazon.fr, mas aos colegas mais próximos posso emprestá-lo.

A seguir, em resposta ao meu e-mail, Armelle Chervel me enviou a seguinte mensagem:

Cher Eduardo,
Je voulais t'écrire depuis ce 5 mai et j'ai tardé et c'est toi qui m'écrit en premier. En effet la soirée était très bien je crois, très réussie d'après les échos que j'ai eus. Il y a eu beaucoup de monde, 3 prises de parole : Michel levante, Gus Massiah, Michel Le Gall ; tu connais les deux Michel ; Gus Massiah est le vice-président d'Attac, Président du Cedetim et de beacoup d'associations, un homme très connu, qui a bien parlé de Marc. Si nous arrivons a avoir leur texte, je te les ferai parvenir.Il y a eu des absents tels Pierre Salama et je ne sais pas pourquoi car il avait annoncé sa présence. Mais Racine Kane a pu se déplacer de Tunisie et être présent ; Gustavo a dû reporter son voyage en France pour cause de maladie, j'espère qu'il va venir bientôt.Pour le livre de Marc, je voulais t'en envoyer un exemplaire, mais je ne savais pas comment le faire et où l'envoyer. Si tu as des idées comment je peux te le faire parvenir dis le moi. Tu peux aussi l'obtenir par l'intermédiaire de : www.amazon.fr qui le vend déjà sur son site.Bien amicalement. A bientôt de te lire. Armelle